Doce colonial de Morro Redondo ganha destaque Regional

Foto: Letícia Santos/MRO

Às vésperas de realizar a sua 1° Feira de Doces Coloniais, promovido pelo roteiro turístico Morro de Amores, o município de Morro Redondo começa a receber o reconhecimento por uma de suas tradições esquecidas no tempo.

Em meio a organização do evento que acontece neste fim de semana, alguns articuladores do roteiro – que já viam a necessidade do resgate da história do doce colonial, foram em busca de mais informações que levassem as origens desta doce e encantada tradição.

Nesta semana Embrapa e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) realizaram uma oficina sobre patrimônio imaterial e agrobiodiversidade, onde a história doceira de Morro Redondo pôde ser defendida à fazer parte dos estudos relacionados ao tema, e que já está ganhando a atenção de pesquisadores, como do próprio IPHAN.

Descoberto pelo proprietário do Sítio Amoreza Pedro Vieira – um filho da terra, morador do Santo Amor, e doutorando do curso de Antropologia da UFPel – Daniel Vaz Lima, fala com propriedade sobre o tema que, além de ter haver com a história da família, é o assunto que envolve sua pesquisa sobre saberes e modos de fazer pecuários no pampa no doutorado. “Por ser Morro Redondo o lugar onde esta apontado a cultura dos doces, estou envolvido com a pesquisa”, explica.

Para ele, assim como para a professora Flávia Rieth que coordenou o inventário cultural Saberes e Fazeres realizados entre 2006 e 2008, várias particularidades puderam ser descobertas com os últimos estudos e pesquisas desenvolvidas. Por exemplo, a tradição doceira de Pelotas, remete-se a confecção dos doces finos, já Morro Redondo, geograficamente teve a tradição dos doces coloniais, como por exemplo os doces cristalizados.

Ao defender a inserção de Morro Redondo como um dos precursores dos doces coloniais da região no estudo, a assessora parlamentar e uma das coordenadoras do roteiro Morro de Amores, Angelica B. dos Santos, explanou ao demais integrantes da oficina sobre a importância da participação de Morro Redondo, e seu resgate histórico. “É fundamental para o município o resgate da essência da doce, as dificuldades enfrentadas pelas famílias, assim como suas vivências, principalmente destacando Morro Redondo, como um dos precursores do doce colonial”, defendeu.

O estudo que tinha como base a região doceira de Pelotas, passa agora a ter também Morro Redondo como região doceira, assim como outros municípios que tenham a mesma base cultural e gastronômica evidenciadas.

Para João Carlos Costa Gomes, pesquisador da Embrapa Clima Temperado o intuito da instituição é fortalecer parcerias sobretudo valorizando a cultura da região. “A Embrapa é a casa de ciência que se compromete com os municípios que abrange”.

Os encontros realizados na Embrapa e também na Fenadoce durante os dias 6 e 8 de junho, contaram ainda com a presença do pesquisador da gestora de projetos do Sebrae Jussara Argoud, do vereadores de Morro Redondo, Thiarles Scheneider e Daniel Gularte – autor de proposição na Câmara para que a história do doce seja resgatada, Adriane Lobo da Emater, Davi Armendaris, produtor de doce e empreendedor do roteiro, e ainda Daniel Marques Aquino analista, e supervisor da Embrapa.

Ainda nesta quinta-feira (8), os participantes, professores e pesquisadores fizeram uma visita de paisagem, como denominada pelo grupo, conhecendo o município de Morro Redondo e alguns empreendimentos turísticos do município.

A cultura do doce colonial teve seus primeiros registros de fabricação na colônia Santo Amor e Açoita Cavalo.

O museu histórico da cidade estará nos dois dias de feira que acontecem neste fim de semana (10 e 11 de junho), com enfoque e temática voltadas para a história e a cultura doceira do município.

Redação

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