Em entrevista diretor da Cosulati fala sobre o futuro da Cooperativa

Trabalhar com transparência e fazer com que o associado se sinta efetivamente o dono da cooperativa, esse é o lema da nova gestão da Cosulati quem tem muitos desafios pela frente.

Em entrevista à Rádio Universidade de Pelotas no dia 20 de julho, o atual presidente administrativo da Cooperativa Sul-Rio Grandense de Laticínios (Cosulati), Airton Seyffert falou sobre os primeiros meses do plano de reestruturação da cooperativa, as dificuldades e os avanços nesse início de sua gestão.

Com a experiência necessária, Aytorn foi escolhido em assembleia pelos associados em novembro de 2016. Filho de pequeno produtor, ele conta na entrevista que já atuava na cooperativa como diretor da indústria e postos de resfriamento (três no estado), com vasto conhecimento sobre a cadeia do leite.

Fundada em 1943 após da fusão da Coolapel/Colacti, a Cosulati começou a viver os seus piores momentos no ano passado, com o fechamento de unidades e o grande número de funcionários que foram demitidos, deixando produtores rurais com diversas dívidas e funcionários sem receber, num saldo negativo que chegou a mais de R$ 180 milhões.

Nesta nova fase da instituição, o foco é o aumento da produção de leite, tanto dos associados, como de parcerias de outras cooperativas e a prestação serviços.

Atualmente já se trabalha com a recepção de 400 mil litros de leite por dia, e a capacidade total chega a 650 mil litros. “Estamos entrando na safra, neste período começa a aumentar a produção, estamos focando no leite para fazer a reestruturação, com essa matéria prima a gente sai da crise”, defendeu o executivo.

Dívidas

Seyffert relata que o principal objetivo da Cosulati é sanar as dívidas que tem com os produtores, já que muitos tinham na comercialização para a cooperativa a única fonte de renda familiar. Além de concluir os pagamentos atrasados dos funcionários que foram demitidos.

“O passivo em atrasado que chegava a R$ 5 milhões, reduziu para menos de 50% deste valor. Desde abril está se pagando o produtor em dia, e para o início da safra já estamos buscando a contratação de pessoas”, comemorou.

A cooperativa segue repassando aos produtores, ração, sementes e toda parte de medicamento, mas não atua mais como um agente financiador, para isso servem os bancos que possuem condições muito melhores ao pequeno produtor, colocou Airton.

E falando em bancos, outra grande prioridade da Cosulati é a renegociação das dívidas juntos aos governos estadual e federal. Os débitos com o BRDE e Banrisul são assuntos que estão sendo tratados com o apoio de diversas autoridades.

Produtos no mercado

Os produtos que sumiram do mercado, começam aos poucos a reaparecer. A tradicional manteiga e o doce de leite já podem ser encontrados em alguns estabelecimentos. Outros produtos que em breve estarão de volta serão os queijos, requeijão, creme de leite, achocolatado e as bebidas lácteas.

Dados

Leite captado em 42 municípios da região;

Faturamento que deve chegar a R$ 180 milhões em 2017;

Em 2016 foi distribuído o valor de 120 milhões aos associados;

Aumento do faturamento: 170 mil litros para 400 mil litros de leite;

Cooperados totais: 2000;

Cooperados ativos: 800;

Cooperados diretos e indiretos: 4500.

Passado

Ainda na entrevista concedida, o atual diretor informou que uma auditoria externa trabalha desde fevereiro para averiguar o trabalho realizado pela antiga administração da cooperativa. Segundo ele, na próxima assembleia em novembro os dados serão apresentados, e se for necessária a responsabilização do problema administrativo, caberá aos associados definir sobre as ações pertinentes ao passado.

Na entrevista, o jornalista Edson Planella, indagou sobre o contato atual da nova direção com o antigo presidente Arno Kopereck. Airton confirmou que o contato foi mantido, até porque o ex-presidente também é um dos produtores da cooperativa. Também há o contato para “ajustes econômicos” da cooperativa, até mesmo para que possíveis equívocos que tenham acontecido, possam ser ressarcidos a própria cooperativa, falou o atual gestor.

Morro Redondo

Duas empresas demonstram interesse em retomar a produção nas instalações em Morro Redondo, um dos municípios que mais sentiu com a paralisação das atividades, mas as negociações neste sentido são mais demoradas. A probabilidade da própria cooperativa retomar o abate de aves é pequena porque não existe capital de giro necessário no momento.

“Sabemos que Morro Redondo tem suas atividades na produção de frutas durante um pequeno período do ano,  e o restante com a produção das aves e sabemos também da importância da produção do frango, que é uma atividade lucrativa a curto prazo e por isso fizemos questão de manter o frigorifico em condições de retornar”, disse Seyffert.  Atualmente a unidade no município conta com 16 funcionários que atuam no matrizeiro com a parceria da Languiru.

Futuro

Airton vê a recuperação da cooperativa de forma tranquila, as unidades que estavam paradas foram alugadas nos municípios do Arroio do padre, Canguçu e Cerrito – e outras negociações seguem sendo feitas para a redução de custos –  exportações de leite em pó e farinha láctea também estão sendo negociadas.

No final da entrevista, o presidente fez questão de mais uma vez garantir aos clientes e aos produtores que em breve todos os produtos da linha Danby estarão de volta ao mercado da região.

A entrevista completa, liberada para vinculação em nosso portal de notícias pelo diretor de jornalismo da Rádio Universidade, Edson Luis Planela você pode acompanhar via facebook clicando neste link: Entrevista com Airton Seyffert – Presidente da Cosulati.

Redação

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