Fraude gera cerca de R$ 87 milhões de prejuízo à CEEE em um ano no RS

A Companhia de Energia Elétrica do Estado (CEEE) deixou de arrecadar cerca de R$ 87 milhões apenas em 2013 devido a uma fraude descoberta recentemente. Na era da tecnologia, golpistas descobriram um novo jeito de pagar menos pelo consumo. Com a instalação de um circuito eletrônico em chaves de luz, clientes conseguem desativar a medição por controle remoto.

“É colocado um circuito eletrônico na parte traseira da chave e, quando aciona por controle remoto, faz o serviço”, explica o chefe da Divisão de Medição da CEEE, Vagner de Andrade.

A Polícia Civil está ciente do novo jeito de fraudar a eletricidade. Segundo a delegada Sílvia de Souza, os principais clientes dos golpistas são grandes empresários. “No geral, são grandes empresas, postos de gasolina, gente que pode pagar por esse tipo de dispositivo. Não é algo muito tranquilo, nem muito barato de fazer”, revela a delegada.

O prejuízo da companhia acaba somando no bolso do consumidor. “A Aneel reconhece na composição da tarifa que existe esse risco e ele é fato. Então, quando calcula a tarifa, coloca um percentual para cada empresa. No nosso caso aqui, são 5,7%. Se não existisse fraude, esse percentual da tarifa seria retirado. Teríamos aí automaticamente uma redução de 5,7% no valor da tarifa de todos”, explica Marcelo Paludo, gerente regional metropolitano da CEEE.

Em Imbé, no Litoral Norte gaúcho, um eletricista se oferece para fraudar o relógio de luz e instalar o equipamento ilegal. Ele se apresenta como Fábio e diz que é possível desligar o medidor à distância, sem interromper o abastecimento de energia.

“É só passar na frente da “casinha” com o controle remoto e apertar para travar. Aí a pessoa deixa parado no turno da noite, sábado, domingo, fora do horário comercial. Depois, é só apertar o controle e seguir de onde ele parou. Aí é possível controlar o quanto vai pagar de luz”, diz o golpista.

O preço cobrado pelo eletricista é um valor único, equivalente ao custo de uma conta mensal. “Eu cobro o valor de uma conta. Se for R$ 10 mil é R$ 10 mil, se dá R$ 30 é R$ 30”, afirma.

Quando a fraude é descoberta, a distribuidora cobra dos envolvidos o que deixou de ser pago. Além disso, tanto os fraudadores quanto os beneficiados têm que acertar as contas com a Justiça.

“É furto da energia, se enquadra no artigo 155 do Código Penal. Dependendo da forma como esse furto é feito, com destreza, com fraude, ele vai responder pelo furto qualificado, cuja pena é maior. Então, nós temos uma pena que não permite o pagamento de fiança, o que, em tese, eles deveriam ficar presos”, disse a delegada Sílvia de Souza.

Fonte: G1 RS

Redação

Todos os textos publicados no Morro Redondo Online podem ser copiados e reproduzidos livremente, no todo ou em parte desde que a fonte seja citada. Nosso Portal também não se responsabiliza pelos comentários dos leitores e a publicação de conteúdos assinados, e, ou, de outras fontes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.