Júri popular condena a 18 anos PM que matou jovem em 2013

Foto: Paulo Rossi/DP
Foto: Paulo Rossi/DP

Após dez horas de julgamento, o policial militar Marcos Canez Lacerda foi condenado em júri popular a 18 anos de reclusão pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio qualificados por motivo fútil que dificultou a defesa da vítima. Além da perda do cargo público. Canez deve cumprir 2/5 da pena em regime fechado. Ou seja, como já cumpriu três anos de forma preventiva no Presídio Militar, em Porto Alegre, Marcos deve permanecer na casa prisional da BM até o trânsito em julgado da sentença condenatória. A defesa recorreu da decisão. A sentença é do juiz da 1ª Vara Criminal, Paulo Ivan Medeiros.

Agora ex-policial, Canez confessou que assassinou a tiros, no dia 18 de abril de 2013, o jovem Rodrigo Xavier, na época com 24 anos. Xico – como era carinhosamente chamado por amigos e familiares – foi morto pelo ex-militar na rua General Teles esquina Félix da Cunha por um tiro de pistola .40 de uso restrito da Brigada Militar (BM). O rapaz comia um cachorro-quente quando foi alvejado.

Nesta terça-feira (19), em depoimento ao tribunal do júri, no Foro de Pelotas, o ex-PM contou três versões diferentes sobre o caso: legítima defesa, disparo acidental e tiro para o alto. Imagens de câmeras de segurança da região, apresentadas aos jurados pelo promotor José Olavo Passos contrariam as explicações do ex-policial. As gravações mostram Canez descendo de um carro branco e efetuando disparos em direção a Rodrigo. “O modo dos disparos não revelam outra intenção além de atingir a vítima”, disse o promotor. O laudo de necropsia apontou que o rapaz foi baleado duas vezes, que atingiram braço e barriga.

Emocionado, o pai de Rodrigo, Carlos Xavier, disse que apesar da Justiça ter sido feita, a condenação do ex-policial não traz o filho de volta. “O tempo, em números, passou mas eu não vi. Para nós, a falta dele é sentida todos os dias. Não tenho palavras para dizer a falta que ele faz”, desabafou. A mãe da vítima não quis participar da sessão. Ela passa por tratamento médio e, segundo o marido, até hoje não conseguiu voltar à vida normal. Com camisas brancas com a foto de Rodrigo, amigos do rapaz lotaram o tribunal para acompanhar a sessão.

Relembre
Rodrigo Xavier era representante comercial e formado em Administração de Empresas. Na madrugada daquele dia, havia sido chamado para reforçar o estoque de espumante de uma festa localizada na rua General Teles entre as ruas Félix da Cunha e Gonçalves Chaves. Jovem que era, aproveitou e ficou na balada na companhia de um amigo. Por volta das 4h45min, ele e outro rapaz subiam a rua General Teles quando foi alvo de Canez. Xico não teve tempo de defesa.

Investigações da Polícia Civil apontam que Canez e o outro – na época – policial militar, Diego Weiduschadt teriam discutido com grupo de jovens na saída da festa. Ao perceber a confusão, seguranças da boate interviram. Cada um seguiu para seu lado.

Marcos e Weiduschadt, no entanto, foram em direção à rua Gonçalves Chaves. Embarcaram no carro do ex-PM – assassino confesso de Xico – subiram a rua Dom Pedro II e dobraram na Félix da Cunha. Ao parar na esquina da General Teles, Canez – sem saber quem seriam os jovens que subiam a via – efetuou os disparos. Ao perceber que teria acertado a “pessoa errada”, a dupla de ex-policiais seguiu pela Félix da Cunha e dobrou na Tiradentes. Lá, o Ex-PM efetuou mais um tiro, este então, em direção ao seu real desafeto envolvido na confusão. O disparo não acertou M.F.A. Após os crimes, Marcos Canez e Diego Weiduschadt fugiram. Dias depois, a dupla se entregou à polícia.

Em março do ano passado, o policial militar Diego Weiduschadt foi condenado há 13 anos de reclusão, em regime fechado, pelo crime de homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele também perdeu o cargo. Weiduschadt é apontado pela polícia como motorista do carro que levou Canez até o local do crime.

Fonte: Diário Popular

Redação

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