Morro Redondo escreve a história do Doce Colonial

Tradição Doceira de Morro Redondo ganha o país

Maio de 2018, mais precisamente o dia 15, data histórica para a cidade de Morro Redondo e para a cultura doceira da região.

Depois de um longo processo de estudos, pesquisas, relatos, visitas técnicas e inúmeras articulações, enfim o município teve sua tradição doceira reconhecida. A votação, que foi unânime pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) ocorreu ontem na sede do instituto.

A cultura doceira – composta pelos tradicionais doces cristalizados – deu a Morro Redondo a consolidação de um trabalho que vinha sendo realizado já a alguns anos pelo IPHAN através de pesquisas realizadas pelo curso de Antropologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e mais precisamente pelo pesquisador Daniel Vaz, morroredondense e que informou as autoridades locais sobre o estudo que vinha sendo realizado na região de Pelotas.

Em 2017, o roteiro Morro de Amores, através de sua Associação de Empreendedores, iniciou uma série de ações visando dar ainda mais apoio e visibilidade ao doce colonial produzido no município e principalmente buscando o espaço dos doceiros que atualmente fabricam no interior do município além dos cristalizados, as passas de pêssego, a marmelada e a bananada por exemplo.

Marcia Sant’ Anna que esteve em Morro Redondo visitando os doceiros, e vivenciando as práticas e os modos de fazer – juntamente com os professores que comandaram a pesquisa – era uma das conselheiras e relatora do parecer que foi lido na tarde de ontem. Durante sua fala, muito da história colonial foi relembrada como dos doceiros de Morro Redondo: a família Cruz, os Doces João de Barro, e também a família Costa e a família Cardoso. A relatora enfatizou ainda que a cultura do doce, surgiu justamente através destes doces coloniais que deram a Pelotas por exemplo, o reconhecimento que hoje possui.

Para Daniel o momento é de muita alegria. “Enquanto cidadão eu agradeço por tornarem cheia de vida e encantos esse município que até há alguns anos atrás era o objeto de pesquisa das ciências sociais por ter altos índices de êxodo rural e de envelhecimento populacional. Como pesquisador me sinto agradecido por vocês (articuladores) se apropriarem deste conhecimento, trazerem novas dimensões, atualizações, novas questões e, o melhor de tudo, agregarem seus conhecimentos e suas experiências individuais e coletivas”, falou.

Já o prefeito Diocélio Jaeckel comemorou ainda no Distrito Federal a conquista, e agradeceu ao IPHAN pelo reconhecimento. “Nossa cidade completou 30 anos no último sábado e hoje ganhamos este presente. Parabenizo todos os envolvidos neste processo”, destacou.

Para Angelica B.dos Santos que representou a Associação de Turismo do município, os doceiros e o deputado estadual Pedro Pereira, o momento é único e deve ser comemorado com ainda mais trabalho a partir de agora. “Este reconhecimento se deve a todos (parceiros e instituições) que a muito tempo lutam pelo reconhecimento da nossa cultura, e a cultura morroredondense é riquíssima, isso faz com que representar e falar sobre nosso município se torne algo fácil”, finalizou.

Em Morro Redondo durante o ato, empreendedores e parceiros juntamente com autoridades do município, acompanharam a votação na Câmara de Vereadores, ansiosos, comemoram muito o resultado da votação.

Junto ao pedido de reconhecimento também foi incluído um plano de preservação do modo de produção dos doces na região, com ações para sua manutenção e transmissão do conhecimento. O saber doceiro colonial de Morro Redondo como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, se torna um bem preservado. Todo o processo do Plano de Salvaguarda deste bem registrado passa a ser realizado tendo sua continuidade de modo sustentável. O conhecimento gerado durante os processos de inventário e registro é o que permite identificar de modo bastante preciso as formas mais adequadas de salvaguarda. Ele propõe ações de valorização das pessoas e a garantia de boas condições de produção e reprodução desse bem, em seu contexto sociocultural e histórico. A cada dez anos, o registro deve ser revisto, ratificado, retificado ou arquivado, conforme o envolvimento, a vontade social e vitalidade do bem cultural.

Em meio a toda comemoração, a Associação de Empreendedores do Roteiro Turístico Morro de Amores se organiza para a sua 2° Festa do Doce Colonial que irá acontecer nos dias 9 e 10 de junho. Muitos doces motivos passam a ter os morroredondenses para alavancar ainda mais as tradições doceiras e a cultura do município.

Redação

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