Museu Histórico relembra o carnaval de rua em Morro Redondo

A ideia de musealizar o carnaval de rua de Morro Redondo surgiu a partir de desejo de uma educadora, a Rutinha Feldens que realizou a pesquisa inicial sobre este festejo, considerado pelos moradores da Cidade enquanto um patrimônio imaterial.

Para tornar possível a realização deste desejo de musealização, a equipe do Projeto de Extensão Museu Morrorredondense, Espaço de Memórias e Identidades (um projeto multidisciplinar ) coordenado pelo professor Diego Ribeiro, convocou as comunidades e, juntamente com educadores, alunos, fundadores do Museu, participantes do primeiro carnaval de rua e seus descendentes, reuniu relatos, imagens fotográficas, pesquisou as marchinhas utilizadas por eles e, no domingo de carnaval (26), inaugurou a Exposição Temporária: “Carnaval de Rua em Morro Redondo – Memórias de uma Época”, através da representação de um baile carnavalesco.

“Foi uma tarde de muita brincadeira, folia e alegria. Contamos com a presença da Maria, a primeira Porta-bandeira que abrilhantou nosso baile com seu ritmo incansável. Recebemos também autoridades do nosso município e nossos amados moradores – fontes de memórias” relataram os organizadores na página do museu no facebook.

Para melhor receber os turistas trazidos pelo Tuor de Museus Rurais da UFPel, sob a coordenação do professor Fábio Vergara Cerqueira e do Museólogo Marcelo Lima, o Galpão Cultural do CTG entrou na folia para acomodar a Feira de Artesanato e de Produtos Coloniais preparadas pela Associação de Artesãs de Morro Redondo e pela Associação de Turismo Morro de Amores.

História

A história do carnaval de Morro Redondo começa com um de seus idealizadores,talvez o principal deles,ao menos o mais famoso: Elpídio Gonçalves da Silva. Seu Elpídio morava no interior de Morro Redondo, na colônia Passo do Valdez. Em 1961, mudou-se para vila Fiss, na antiga Rua São Pedro(hoje Rua das Extremosas).
Elpídio gostava muito de carnaval. Acompanhava os grandes carnavais pelo radio e conhecia bem o carnaval de Pelotas (considerado um dos melhores do estado). O carnaval de Morro Redondo surge no final da década de 1970, quando Elpídio convidou alguns amigos para fazer um pequeno evento na rua.
A primeira coisa que fez foi providenciar material para construir o personagem mais lembrado do carnaval: o BOI SALINO (um boi feito de taquara e tecido), conduzido por um homem e que perseguia os foliões durante o desfile.
Organizaram a formação da bateria acompanhada de gaita e sopro. Também enfeitaram um caminhão do Senhor Helmuth Stein para o desfile da rainha do carnaval. A primeira rainha se chamava Sulene.
A ideia do carnaval se espalhava rapidamente e ganhava apoio de outras pessoas da comunidade. Uma costureira conhecida por Nininha fez a capa da primeira rainha.
O primeiro desfile começou da Rua Extremosa e retornou subindo e descendo a rua. Nos anos seguintes ,o carnaval cresceu e foi ganhando novos integrantes. O  percurso do desfile já era maior,  ia do fim da Vila, até os Fiss, e mais tarde até os Muller.
Os foliões participavam do desfile e voltavam até o salão do Reinaldo Piske, onde era feito o baile de carnaval com a escolha da corte, rainha, primeira e segundas princesas e madrinha da bateria.
Em 1975, o bloco burlesco Colonial de Morro Redondo representado por seu presidente, Elpídio, já contava com  mais de cem componentes conforme documentos enviados ao chefe da censura federal, órgão vinculado à Policia Federal, no dia 24/ 11/1975.
Como personagens, além do Boi Salino, agora já tinha um petiço, o galo e a girafa. Segundo relatos de Paulo Jorge, filho do senhor Elpidio, a preparação para o Carnaval começava com antecedência:
Uns três meses antes do carnaval meu avô parava tudo (trabalhava de forma autônoma ) e se dedicava à reforma dos bichos. Todos os anos era necessário reformar. Depois ele cravava postes com grandes painéis com desenhos de mascarados e palhaços, onde eram instalados a fiação com lâmpadas ao longo do percurso do carnaval.
Um dos melhores momentos do carnaval era a participação dos mascarados. As pessoas se fantasiavam e brincavam com o público.
Os que iam ao carnaval ficavam curiosos pra saber a identidade dos mascarados (todos se conheciam). Um senhor chamado Jose Miguens, que era muito amigo de meu avô, proprietário da Casa Miguens, em Pelotas, doava retalhos de tecidos e aviamentos que eram utilizados na confecção de roupas e alegorias do carnaval.
A subprefeitura de Morro Redondo, tinha somente um jipe, cujo motorista era meu tio Rubens Schiavon.  Este carro servia como carro oficial, ambulância, viatura policial e, na época do carnaval, buscava uns músicos que moravam mais longes e também alguns poucos “brigadianos” que faziam a segurança”.
Fonte e informações: Museu Histórico de Morro Redondo.

Redação

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