O que você precisa saber sobre a campanha de vacinação contra o sarampo e a pólio

Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e o Sarampo começa na próxima segunda-feira (6). A meta é imunizar mais de 11 milhões de crianças entre 1 ano e menores de 5 anos, público mais suscetível a complicações de ambas as doenças. No Rio Grande do Sul, 528,9 mil crianças devem receber as doses. O Dia D de mobilização está previsto para 18 de agosto, um sábado, quando cerca de 36 mil postos de saúde em todo o país estarão abertos.

Este ano, a vacinação será feita de forma indiscriminada, ou seja, todas as crianças dentro da faixa etária estabelecida serão imunizadas – mesmo as que já estão com o esquema vacinal completo. Neste caso, a criança vai receber outro reforço.

— Nosso maior risco é ter doses a menos — justifica o médico pediatra Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

A campanha ocorre em meio a pelo menos dois surtos de sarampo no Brasil, em Roraima e no Amazonas. No caso da pólio, 312 municípios registram baixas taxas de cobertura vacinal contra a doença. Tire suas dúvidas:

Quando e onde ocorre a campanha? 

Entre 6 e 31 de agosto, com o Dia D agendado para 18 de agosto, em postos de saúde de todo o país. No Estado, cerca de 2.850 unidades básicas de saúde participam da campanha.  A prefeitura de Porto Alegre deve divulgar na tarde desta sexta-feira (3) o número de postos que vão aplicar as doses.

Qual o foco da campanha? 

Crianças com idade entre 1 ano e 5 anos incompletos (4 anos e 11 meses).

Qualquer um pode se vacinar gratuitamente? 

Embora as entidades médicas estejam estimulando a vacinação para adultos, a campanha tem foco nas crianças.

Por que só as crianças são o público-alvo? 

Segundo Cunha, as crianças têm mais risco para todas essas doenças.

Crianças que já foram vacinadas anteriormente devem ser levadas aos postos? 

Sim. Todas as crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos devem comparecer aos postos. Quem estiver com o esquema vacinal incompleto receberá as doses necessárias para atualização e quem estiver com o esquema vacinal completo receberá outro reforço.

Há riscos de tomar doses a mais? 

Cunha garante que não há riscos em tomar novas doses mesmo para aquelas crianças que estão com o esquema vacinal em dia.

Qual a vacina usada contra a pólio? 

Crianças que nunca foram imunizadas contra a pólio vão receber a Vacina Inativada Poliomielite (VIP), na forma injetável. Crianças que já receberam uma ou mais doses contra a pólio vão receber a Vacina Oral Poliomielite (VOP), na forma de gotinha.

Qual a vacina usada contra o sarampo? 

A vacina contra o sarampo usada na campanha é a Tríplice Viral, que protege também contra a rubéola e a caxumba. Todas as crianças na faixa etária estabelecida vão receber uma dose da Tríplice Viral, independentemente de sua situação vacinal, desde que não tenham sido vacinadas nos últimos 30 dias.

As vacinas são seguras? 

Conforme Cunha, elas são seguras e eficazes. Contudo, em raros casos podem ocorrer eventos adversos.

Alguma delas tem contraindicação? 

Apenas crianças imunodeprimidas não poderiam, por regra, ser imunizadas. No entanto, em algumas situações elas podem ser feitas. Portanto, Cunha recomenda que um médico seja consultado para avaliar cada caso.

No caso da tríplice viral, também é preciso respeitar o período de 30 dias entre vacinas. Ou seja: a criança só pode tomar o reforço após esse intervalo.

— Ela é uma vacina com vírus vivo atenuado injetável, por isso precisa desse tempo — explica o pediatra.

Elas podem provocar efeitos colaterais? 

Na maioria dos casos, não. Porém, no caso da tríplice viral, pode ocorrer um quadro semelhante ao de uma virose.

— Não costuma acontecer, mas de cinco a 12 dias depois da vacinação, a criança pode ter febre e ficar com pintinhas no corpo. Isso pode durar de dois a três dias.

Adultos participam da campanha? 

Não. A campanha tem como foco crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos.

Mesmo não sendo foco da campanha, adultos precisam de alguma das duas doses? 

Sim. Conforme previsto no Calendário Nacional de Vacinação, adultos com até 29 anos que não tiverem completado o esquema na infância devem receber duas doses da Tríplice Viral e adultos com idade entre 30 e 49 anos devem receber uma dose da Tríplice Viral. O adulto que não souber sua situação vacinal deve procurar o posto de saúde mais próximo para tomar as doses previstas para sua faixa etária.

Quais são as consequências da não vacinação? 

Individualmente, diz Cunha, a consequência é que a pessoa não estará protegida. Coletivamente, isso amplia situação de surto.

— A baixa cobertura facilita a disseminação das doenças — diz o médico.

Redação

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