Pesquisadores da Embrapa e do IPHAN de vários Estados visitam as docerias do Morro Redondo

Que os doces do Morro Redondo são de dar água na boca, isso já sabemos. Mas agora, também o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a EMBRAPA e a UFPel estão interessados neles.

Desde 2006, com o início do Inventário Nacional de Referências Culturais, realizado sob a coordenação da Professora Dra. Flávia Maria Silva Riet, da UFPel, a região doceira de Pelotas está sendo estudada pela UFPel e pelo IPHAN.

Com o objetivo de conhecer o patrimônio imaterial, o Inventário, que levou dois anos sendo preparado, desde 2008 descreve as formas de fazer os doces da região a partir de quem os faz. Para efeito de estudos, os doces foram divididos em “doces finos ou doces de bandeja”, que são as estrelas da FENADOCE, e os “doces de frutas ou coloniais”, que são os doces que predominam na cultura do município do Morro Redondo.

Através de um convênio entre a Embrapa e o IPHAN, foi realizada a Oficina de Concertação Embrapa/Iphan – Patrimônio Cultural Imaterial, Sistemas Agrícolas Tradicionais e Sociobiodiversidade: identificação e fortalecimento de experiências locais, de 06 a 08 de junho, na Embrapa Clima Temperado, Estação Cascata, em Pelotas.

Na oportunidade, várias experiências de todo o Brasil foram apresentadas e discutidas, visando a preservação das tradições locais no fabrico de alimentos, como a Cajuína, no Ceará, o Queijo de Minas,do interior de Minas Gerais, o Queijo Parmesão, do interior do Rio de Janeiro e os doces da região doceira de Pelotas e arredores, dentre outras. Para encerrar a atividade, no dia 08 os participantes foram a campo.

Os doceiros do Morro Redondo foram os escolhidos. Pelo período da manhã, os participantes puderam visitar uma produção artesanal de passas de pêssego, na comunidade do Santo Amor e uma indústria de doces tradicionais, na comunidade de Açoita Cavalo, que além das passas de pêssego, goiaba e maçã, também fabrica doces em caixas e cristalizados.

O encerramento se deu com um almoço na propriedade dos Scheer, na comunidade de São Domingos, produtores agroecológicos do município. Na avaliação, todos concordaram com a importância do trabalho e a necessidade de preservar e salvaguardar esses conhecimentos e modos de fazer, como patrimônio imaterial.

Por parte do IPHAN, será relatado ao Conselho o Inventário, que votará pela consideração do Patrimônio Imaterial da Região Doceira de Pelotas e antiga Pelotas. Após isso, caso aprovado, será feito um plano de salvaguarda. Ainda esse ano, haverá mais uma reunião na região para definir os próximos passos. Morro Redondo ingressa nesse processo buscando valorizar a sua cultura local.

Informações: Adriane Lobo – ERNS II – Emater/Morro Redondo.

Redação

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