Políticos do RS são citados em delação de diretor da JBS

Pelo menos cinco políticos do Rio Grande do Sul receberam pagamentos de vantagens indevidas da JBS em troca de apoio, conforme depoimento do diretor da empresa Ricardo Saud à Polícia Federal durante a Operação Lava Jato.

O delator cita os deputados federais Alceu Moreira (PMDB-RS), Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Jerônimo Goërgen (PP-RS) e os ex-deputados federais Paulo Ferreira (PT-RS), ex-tesoureiro do partido, e Beto Albuquerque (PSB-RS). Ele se refere aos pagamentos como um “reservatório da boa vontade”.

“É para o cara [político que recebe o dinheiro] não chatear e nem nos atrapalhar”, explica Saud. Segundo ele, em troca dos valores, os políticos deveriam “apoiar o Grupo [JBS], não deixar ninguém falar mal do grupo.”

Antônio Jorge Camardelli

Parte dos pagamentos, segundo o delator, foi feita pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli. “Ele já foi do Ministério da Agricultura, é um cara do bem, muito ligado a eles e sempre ajudava.”

Beto Albuquerque

Saud não cita detalhes e nem o valor do pagamento feito, segundo ele, a Beto Albuquerque. Apenas afirmou que o ex-parlamentar integrou a lista de pagamentos da empresa.

“Vou fazer aqui para você agora partidos que nós demos dinheiro, para quem foi, por que foi, e vamos chegar a esses que estou te falando, vamos chegar até no vice da Marina Silva, que aí o Beto Albuquerque foi ser o vice da Marina e foi interino presidente do PSB”, afirma.

Alceu Moreira

Em relação aos outros políticos citados, Saud cita de forma resumida valor dos pagamentos e a forma. Segundo ele, Alceu Moreira recebeu R$ 200 mil em espécie de Camardelli. O dinheiro, segundo ele, foi solicitado pelo próprio parlamentar.

“O Alceu Moreira pediu ao Camardelli, que é um companheiro nosso, e depois eu estive com ele, conversei com ele na Câmara”, contou.

Onix Lorenzoni

Assim como Moreira, Saud diz que Onix Lorenzoni recebeu R$ 200 mil após ter pedido a ele. O dinheiro foi entregue em notas no Rio Grande do Sul por Camardelli no dia 12 de setembro de 2014, ainda de acordo com o delator.

Jerônimo Goërgen

A Jerônimo Goërgen, o diretor da JBS conta que o grupo pagou R$ 100 mil no dia 12 de setembro de 2014 no Rio Grande do Sul. Segundo ele, dinheiro também foi entregue por Camardelli.

Paulo Ferreira

Já o pagamento de R$ 200 mil feito a Paulo Ferreira, segundo conta o executivo, foi realizado por uma gráfica de Porto Alegre no dia 2 de outubro de 2014.

Contraponto

Em entrevista à RBS TV, Lorenzoni assumiu ter recebido doações irregulares da JBS, mas disse que o valor era inferior aos R$ 200 mil citados por Saud. Ele afirma que, na ocasião, não tinha como declarar o valor na Justiça Eleitoral.

“Cabe-me, sim, com altivez, como um homem deve fazer, que assumi meu erro e pedir desculpas ao eleitor. A verdade tem que ser o caminho para o Brasil se reencontrar com aquilo que o Brasil quer, um Brasil limpo e correto, e quero dizer que essa responsabilidade será assumida diante do Ministério Público e do Judiciário”, disse.

Por meio de nota, Goërgen afirmou que as doações que recebeu pela JBS foram devidamente declaradas na Justiça Eleitoral, e que não tratou de pagamentos com Camardelli. “O único contato que eu fiz [com Camardelli] foi assim: ‘olha, se tiver alguém que possa colaborar na campanha, avisa’. Contato feito por telefone ou email, não lembro.”

Também em nota, Alceu Moreira disse ter convicção da licitude de suas condutas, e garante que os valores recebidos durante a campanha em 2014 foram de forma regular e declarados à Justiça Eleitoral.

Contatados pela reportagem, Antônio Jorge Camardelli e a assessoria de imprensa de Beto Albuquerque não se posicionaram. Paulo Ferreira não foi localizado.

Redação

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