Por essa luz que me ilumina…

E o sol volta a brilhar em Morro Redondo.
“E se for pra falar de algo bom, lembraremos de vocês”. Essa é a frase que consola os moradores da cidade ao falar sobre a tragédia do dia 29 de agosto.

 

Com a alegria de viver sempre presente, o sábado para os amigos Márcio Renato Büttow, Iuri Franz da Silva ambos de 24 anos e Leonardo de Castro Damero de 16 anos, seria de mais uma festa para se divertir, encontrar os amigos, e quem sabe até comemorar o aniversário que Iuri e Léo, faziam neste mesmo mês.
Mas o destino dos jovens morro-redondenses já estava escrito. Os fortes ventos da madruga pareciam anunciar mais três estrelas no céu, e a manhã de domingo na cidade amanheceu em silêncio.
Com as informações que chegavam naquela manhã, à notícia parecia não ser real. Márcio, Iuri e Leonardo acabavam de perder a vida na RS 265, trecho que já vitimou várias pessoas pelas suas más condições, e o mais revoltante para a população é que nada tem sido feito para as melhorias do local.
O domingo parecia ter sido o mais longo na vida de familiares, amigos e conhecidos que aos poucos iam se reunindo no salão da comunidade Advento, que ficou totalmente lotado para que as pessoas pudessem prestar as suas ultimas homenagens aos jovens.
Dentre a dor e o sofrimento, era preciso lembrar dos momentos, e do que cada um deles representava e continuará representando para a cidade. Cada um com o seu jeito de ser, totalmente diferentes, e ao mesmo tempo com várias coisas em comum.
Márcio do sorriso sempre estampado, que fazia dos momentos mais chatos uma verdadeira diversão. Onde estava fazia a alegria de todos, adorava dizer e brincar com os amigos “por essa luz de meu deus que me ‘alumina’”, que das ironias da vida, ele foi iluminar mais alto.
Iuri, Lirow, Homero, assim chamado pelos os amigos, como apelidos carinhosos, o rapaz forte e de olhar sereno. Motorista da prefeitura municipal era o xodó das alunas que esperavam ele passar no micro ônibus, antes de irem para casa no final das aulas.
Assim como Márcio e Iuri, Leonardo também era um apaixonado pelo esporte, jogadores do futebol amador da cidade, hoje deixam nos clubes Indio e Independente os gols que fizeram pelas suas equipes, o suor que cada um deles deu pela vitória que em certas partidas se tornava difícil, e que muitas vezes o atacante Iuri dizia “calma, o gol vai sair”, e saía, pois ele ia lá e fazia.
Hoje algumas pessoas buscam respostas para o fato, outras julgam sem saber o que realmente aconteceu, talvez por parecer que isso seja mais fácil, ou até mesmo porque julgar é um dos defeitos mais presentes no ser humano. A verdade é que assim como Deus dá a vida, só ele tem o poder de tirá-la.
E é esse mesmo Deus que uma semana depois, faz o sol voltar a brilhar, parecendo dar aos familiares e amigos uma esperança, asssim como diz a música: “… quando tudo está perdido, sempre existe um caminho, uma luz…”
Agora os jovens partem para jogar nos gramados da vida, com a certeza de que o que consola toda a população de Morro Redondo, que ainda está em luto são as lições, os sorrisos verdadeiros e ao mesmo tempo a certeza de que viveram intensamente ao lado dos familiares e amigos.
Cada um do seu modo, fazendo parte daquilo que sempre amavam e acreditavam, como o futebol, a tradição gaúcha, e as causas sociais do município, irão iluminar uma cidade inteira que busca forças para se reerguer, e voltar a sonhar com dias melhores, que com certeza virão, afinal as estrelas já estão brilhando…

 

Redação

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