PRF e Polícia Civil investigam furtos de soja nas estradas do Sul do Estado

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Civil investigam grupos de ladrões, que começam a agir nas estradas do Sul do Estado de olho nas milhões de toneladas de soja transportadas para o Porto doRio Grande. As táticas usadas pelos bandidos vão desde colocar obstáculos ou óleo na pista, até abrir os compartimentos de carga para forçar o derramamento de grandes quantidades de grãos.

Uma dessas ações criminosas, aliás, pode ter causado o acidente que matou o empresário José Costa Almeida, 54, na manhã de segunda-feira no quilômetro 119 da BR-392, entre Canguçu e Morro Redondo. A desconfiança surge a partir do momento que os policiais rodoviários encontraram uma considerável quantidade de óleo diesel derramado na estrada. Acredita-se que o produto possa ter sido espalhado naquele ponto – uma curva acentuada – para forçar a derrapagem de alguma carreta carregada com soja e, desse modo, facilitar o saque do grão, cuja saca de 60 kg está cotada em R$ 62,00 no Rio Grande do Sul.

A delegada da Polícia Civil em Canguçu, Paula Vieira Garcia, diz trabalhar com várias alternativas para tentar explicar a batida entre o carro de Almeida e o caminhão guincho, entre as quais a chuva, o excesso de velocidade e os perigos próprios do trecho conhecido como “curva da morte”. Paula, no entanto, confirma a existência de investigações para apurar tentativas e furtos de cargas de soja. “O número de casos está dentro da normalidade e estamos investigando todos”, frisa.

Caminhoneiros acostumados a cruzar a BR-392 rumo ao porto, ouvidos pela reportagem, confirmaram casos nos quais pedras e galhos de árvores foram colocados sobre a pista, nos arredores de Morro Redondo, para tentar forçar uma parada ou até causar um acidente. “Não é algo usual, mas acontece”, disse um deles.

No Porto
Em Rio Grande, a PRF investiga a ação de grupos especializados em abrir os compartimentos de carga dos caminhões, que passam pelo trecho da BR-392 que corta a vila Santa Tereza, na periferia da cidade. “Há ali um trecho no qual é preciso reduzir muito a velocidade, então eles (os ladrões) aproveitam para abrir o tombador do caminhão provocando o derramamento de parte da carga sobre a pista”, revela o chefe de Operações da PRF na região, Fabiano Goia.

Transportadores acostumados a carregar soja para o Porto de Rio Grande estimam que a cada investida do tipo os bandidos arrebanhem entre quatro e cinco toneladas de um total de 40 transportadas por carreta. “O motorista vai fazer o quê? Ele não tem como parar e descer, pois eles estão sempre em grupos de oito ou dez pessoas, não há alternativa senão seguir em frente”, comenta Renato Petersen, gerente de uma transportadora.

Ações como estas podem render aos criminosos até R$ 2.500,00 caso a carga furtada seja revendida no mercado negro por metade do valor comercial.

Fonte: Diário Popular

Redação

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