Réus do caso Treichel são condenados pelo Tribunal do Júri

Júri terminou na madrugada desta quarta-feira em Pelotas (Foto: Reprodução/RBS TV)
Júri terminou na madrugada desta quarta-feira em
Pelotas (Foto: Reprodução/RBS TV)

Três dos quatro réus julgados nesta terça-feira (28) em Pelotas pelo chamado Caso Treichel, como ficou conhecido o assassinato da empresária Gleci Treichel em 2003, foram condenados pelo Tribunal do Júri. O julgamento terminou por volta da meia-noite desta terça.

Os réus Milton Funari, 54 anos, que contratou os irmãos Ilson, 41, e Leonardo Oliveira, 42, para executarem a vítima foram sentenciados respectivamente a 12 anos e oito meses de prisão e a 16 anos, cada – também em regime fechado – por homicídio duplamente qualificado. Todos poderão recorrer em liberdade.

Funari foi condenado inicialmente a 19 anos de reclusão. Ele teve a pena reduzida por ter aderido ao benefício da delação premiada. O promotor José Olavo Bueno dos Passos chegou a requerer a prisão preventiva dos outros dois réus. No entanto, o juiz Paulo Ivan Medeiros entendeu que os irmãos Oliveira, assim como Funari, já estavam respondendo em liberdade e por isso permitiu que eles permanecessem nesta condição enquanto a defesa apela junto ao Tribunal de Justiça (TJ-RS).

Ainda assim, o promotor viu motivos para comemorar a decisão: “Estou plenamente satisfeito”, disse Passos. “O Tribunal do Júri mais uma vez fez justiça.” Porém, ele lamenta que o caso ainda não esteja completamente encerrado.

Para o promotor, falta julgar quem ele considera o “principal responsável” pelo crime – o empresário Walmir Treichel, ex-marido da vítima. Ele é apontado pelo Ministério Público como o mandante da morte de Gleci Mielke Treichel. O acusado está em liberdade, depois de passar um tempo preso preventivamente. No momento, a defesa entrou com recurso junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) . Enquanto  esta apelação não for julgada, Walmir Treichel não poderá ser levado ao Tribunal do Júri.

O júri 

Lágrimas, histórias discordantes, choro, curiosidade. Estes foram alguns dos ingredientes do julgamento do assassinato da empresária Gleci Mielke Treichel, iniciado nesta quarta.

Durante todo o dia o júri formado por seis mulheres e um homem foi o centro das atenções do público, que lotou o salão para acompanhar a primeira parte do desfecho de um dos mais rumorosos casos policiais da história recente da cidade. 

Desde o disparo do tiro que matou Gleci na tarde de 23 de abril de 2003, o Caso Treichel já passou pelas mãos de três delegados de polícia, dois promotores e quatro juízes, sem falar nos vários desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RS) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que analisaram inúmeros recursos impetrados ao longo destes 11 anos de processo.

Ao ver sentados no banco dos réus, três dos quatro acusados – Milton Funari, 54, Ilson Oliveira, 41; e Leonardo Oliveira, 42 -, o promotor José Olavo Passos mal conseguia esconder a satisfação. “Agora a comunidade de Pelotas poderá começar a fazer justiça para este crime”, disse.

Entre os acusados, que chegaram pouco depois das 8h sob escolta policial, o clima era de tensão e – com exceção do momento dos interrogatórios – os três permaneceram em silêncio, sem esboçar maiores reações, mesmo diante das acusações mais duras feitas pelo promotor.

Duas versões antagônicas
As histórias relatadas por Funari e pelos irmãos Oliveira foram o pomo da discórdia da sessão. O comerciante chorou ao assumir a participação no crime, admitiu ter recebido do ex-marido da vítima, Walmir Treichel, a quantia de R$ 60 mil para contratar os assassinos de Gleci e apontou Ilson e Leonardo Oliveira como sendo os contratados para matar a empresária.

Os dois irmãos rechaçaram esta versão. “Desde a época da investigação policial eles relataram não ter qualquer envolvimento e apontaram que dois paulistas teriam sido os autores do crime, mas a polícia nunca encontrou estes homens”, disse o advogado José Karini, defensor dos Oliveira.

Funari disse, ainda, ter aceito a “missão” por precisar de dinheiro e por acreditar que o ex-marido da vítima não levaria a ideia até o final. “Eu avisei a Gleci que ele iria matá-la. Eu achei que tinha a situação sob controle, mas não tinha”, declarou.

Com riqueza de detalhes contou ter contratado os irmãos Oliveira por conhecê-los há muito tempo e que no dia do crime acompanhou-os de longe durante todo o trajeto desde o centro da cidade onde Gleci e seu pai Rudi Mielke foram sequestrados, até o local onde a empresária foi morta com um tiro na nuca.

A história dos irmãos Oliveira é bem diferente. Leonardo diz ter sido procurado por Funari para “tirar” um carro da cidade, enquanto Ilson diz ter apenas levado Funari até a empresa onde o irmão trabalhava e depois voltado para casa, no Areal.

Para o promotor José Olavo Bueno dos Passos a história dos irmãos é cheia de furos e incapaz de resistir à evidências como o reconhecimento feito pelo pai da vítima; o fato de Leonardo ter abandonado o emprego que tinha na tarde de 23 de abril de 2003 e não ter voltado sequer para receber os direitos trabalhistas e os dois terem chegado a Porto Alegre (onde foram presos em junho) com dinheiro para montar uma mercearia. “Eles tentaram fugir do julgamento o máximo que puderam, porque são culpados. Leonardo puxou o gatilho e matou uma mulher que implorou para não ser morta”, argumentou o promotor.

Curiosidade máxima
A sessão marcada às 9h30min atraiu a atenção de centenas de curiosos, entre os quais muitos estudantes de Direito das três faculdades da cidade.

Faltava mais de uma hora para o início da sessão e uma longa fila já estava formada diante do Foro.

A família da vítima também chegou cedo e acompanhou todo o julgamento nas primeiras fileiras.

Em alguns momentos, especialmente durante o interrogatório dos acusados, filhos e parentes de Gleci não conseguiram conter as lágrimas.

Informações: Diário Popular

Redação

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