Tarifa de pedágio nas rodovias do Polo Pelotas será reduzida

A tarifa de pedágio nas rodovias do Polo Pelotas será reduzida de R$ 9,00 para cerca de R$ 6,70 aos veículos leves. Esta é a boa notícia para quem há 16 anos não vê os valores nas praças de pedágio da região diminuírem. O contrato de repactuação da concessão das rodovias entre União e a empresa Ecosul será assinado na próxima semana, em Brasília. A informação foi confirmada pelo ministro dos Transportes, César Borges, em reunião esta semana com o deputado federal Fernando Marroni (PT), membro da Comissão de Viação e Transportes. Por telefone, a assessoria de imprensa do Ministério dos Transportes afirmou ao Diário Popular que o anúncio oficial será feito nos próximos dias.

O principal termo da repactuação é a redução do valor da tarifa em 26% ainda este ano. Além disso, o novo contrato prevê que a praça da BR-116 entre Pelotas e Jaguarão será mantida. Porém, a instalação de nova praça, prevista para o trecho da BR-293, entre Pelotas e Bagé, não ocorrerá.

Durante a reunião o ministro ainda afastou qualquer possibilidade de rompimento do contrato com a Ecosul. “O governo tem a firme determinação de não romper qualquer contrato já firmado, isto está fora de questão, por isso foi proposta esta repactuação dos atuais termos vigentes”, declarou Borges. De acordo com o ministro, o novo contrato já está pronto e não sofrerá nenhuma nova alteração.

Para o deputado, o governo fez o necessário para que o impacto da tarifa fosse mais condizente com o serviço prestado e com o tamanho da malha rodoviária. “Todo o trabalho da região era pelo fim dos pedágios, essa era nossa luta, mas diante da decisão do governo em não anular o contrato, a repactuação com a previsão de redução dos valores surge, nesse momento, como um bom resultado”, analisa Marroni.

Para o Setcesul, problemas não resolvidos
A notícia da redução da tarifa pegou de surpresa o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Cargas do Extremo Sul (Setcesul), Paulo Augusto Oliveira. E para ele, a repactuação do contrato não representa uma grande conquista para a região. Isso porque a diminuição do valor não atende nem 20% das reivindicações da categoria. A condição da via é crítica, a estrada é remendada e de Pelotas a Camaquã, por exemplo, o acostamento é uma vergonha.

Segundo ele, o setor questiona entre outros pontos o termo aditivo que prorroga o contrato de concessão das rodovias para a Ecosul até 2026, o valor gasto pela empresa com a conservação das vias e a cobrança de pedágio nos trechos duplicados da BR-392 (Pelotas-Rio Grande). “As obras foram feitas com dinheiro público e eles estão cobrando pedágio. Como pode isso?”.

O vereador Marcus Cunha (PDT), que ao longo do ano participou da criação de um abaixo-assinado contra a prorrogação do contrato com a Ecosul, concorda com Oliveira que o maior problema é o contrato, e considera a redução irrisória. “Se o pedágio ficar em torno de R$ 6,50 ainda é muito mais caro do que, por exemplo, o valor dos novos contratos que a União fez para as rodovias de Santa Catarina, onde o valor do pedágio vai ficar por volta de R$ 2,00”, disse. Segundo ele, o contrato original da Ecosul terminou no dia 24 de julho. O termo aditivo – que prorroga a concessão até 2016 – seria um novo contrato e não poderia ser feito sem licitação. “Os novos que a União está fazendo nos serviriam, mas a manutenção do atual contrato é ruim porque prejudica a população. Isso é inaceitável e uma injustiça com a região”.

Boa redução
A redução pode ser boa e fazer diferença. Principalmente para quem está na estrada e se depara com a placa indicando o valor a ser pago no posto de pedágio. Também é boa para quem, nesta época do ano, programa as férias e vê o custo da viagem aumentar significativamente sempre que coloca os valores dos pedágios do percurso no cálculo de gastos.

O fretista César Dheim, 34, passa boa parte de seus dias na rodovia. Duas vezes por semana ele sai da cidade de Nova Petrópolis, distante cerca de 349 quilômetros, rumo à região de Pelotas. A cada viagem ele precisa passar por sete pedágios. Quatro para vir e três para voltar. Para ele a redução de 26% no valor vai melhorar a situação de quem vem de fora da cidade e lida com a despesa. “A cada viagem eu gasto R$ 60,00 só com isso, com a redução fica mais acessível”.

Segundo César, o valor pesa no bolso de qualquer pessoa que vem até a região. Por isso, ele conta que nunca foi a nenhum dos municípios da Zona Sul sem ser a trabalho. “Quando vou fazer um passeio não venho pra cá por causa desses custos, prefiro ir para Lajeado, que o pedágio custa mais ou menos R$ 5,00”. E não é por falta de motivo. Sua esposa, Daiane, pede há anos ao marido para visitar a Fenadoce. “Mas com esses custos não vale a pena fazer um bate volta, tem que ficar mais tempo, aí é difícil”.

Ao longo desta quinta-feira (21) o Diário Popular entrou em contato com a Ecosul, que informou por meio da assessoria de imprensa não possuir ainda nenhuma informação oficial ou notificação sobre a repactuação do contrato com a União.

Relembre fatos sobre a polêmica dos pedágios na região ocorridos ao longo do ano

Proposta
No último mês de maio, o Diário Popular noticiou que o Ministério dos Transportes apresentaria, neste segundo semestre, a proposta do governo para repactuar o contrato com a concessionária do Polo. Um dos pontos principais era a redução das tarifas e a exclusão de trechos.

A impossibilidade legal de romper o contrato aditivo firmado com a empresa até 2026 levou o ministério a elaborar a proposta de renegociação que abrangeria as praças de Pelotas/Rio Grande (BR-392),Cristal/Camaquã (BR-116), Pelotas/Jaguarão (BR-116), Canguçu/Santana da Boa Vista (BR-392) eBagé (BR-293).

Na época o ministro César Borges convocou o deputado federal Fernando Marroni (PT) para debater a pré-proposta elaborada pelo órgão. Um dos principais pontos apresentados e discutidos dizia respeito à redução das tarifas, que poderia chegar a 28% para os veículos leves. Além da redução das tarifas, a repactuação poderia prever a retirada das praças de pedágio dos trechos Pelotas/Jaguarão e Pelotas/Bagé, reduzindo de 623 quilômetros para 375 quilômetros a área de concessão do Polo Pelotas.

Abaixo-assinado
Em agosto 57 vereadores de 12 municípios da região Sul do Estado reuniram-se com o governador Tarso Genro (PT), para pedir apoio pelo fim do contrato de concessão do pedágio do Polo Pelotas. O governador se comprometeu em apoiar o movimento. Um abaixo-assinado com 12 mil assinaturas, sendo sete mil de Pelotas e cinco mil de Rio Grande, foi apresentado ao chefe do Estado.

Manifestação
No início deste mês de novembro manifestantes ocuparam o posto do pedágio do Retiro, na BR-116, em Pelotas. Funcionários da Ecosul e agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) tentaram o diálogo com os protestantes quando uma ação foi iniciada. Mascarados deram início a ataques, colocando fogo em três cabines de cobrança de pedágio. Segundo a polícia, no ônibus usado pelos vândalos foram encontradas faixas e garrafas PET com 15 a 20 litros de gasolina, além de algumas garrafas de cachaça, que provavelmente também seriam utilizadas como coquetéis molotov. Os manifestantes foram encaminhados à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) e posteriormente liberados.

Valor aproximado com a redução de 26%

Automóvel, caminhonete e furgão – 2 eixos – R$ 9,00 – R$ 6,70
Caminhão leve, furgão e caminhão-trator – 2 eixos – R$ 12,50 – R$ 9,25
Automóvel com semirreboque e caminhonete com semirreboque – R$ 13,60 – R$ 10,00
Caminhão, caminhão-trator, caminhão-trator c/ semirreboque e ônibus – 3 eixos – R$ 18,70 – R$ 13,80
Automóvel com reboque e caminhonete com reboque – 4 eixos – R$ 18,10 – R$ 13,40
Caminhão com reboque e caminhão-trator com semirreboque – 4 eixos – R$ 25,00 – R$ 18,50
Caminhão com reboque e caminhão-trator com semirreboque – 5 eixos – R$ 31,20 – R$ 23,10
Caminhão com reboque e caminhão-trator com semirreboque – 6 eixos -R$ 37,40 – R$ 27,70
Ônibus – 2 eixos – R$ 12,50 – R$ 9,25
Ônibus – 3 eixos – R$ 18,70 – R$ 13,85
Caminhão com reboque e caminhão-trator com semirreboque – 7 eixos – R$ 49,90 – R$ 36,90
Caminhão com reboque e caminhão-trator com semirreboque – 8 eixos – R$ 62,40 – R$ 46,20
Caminhão com reboque e caminhão-trator com semirreboque – 9 eixos – R$ 74,90 – R$ 55,40
Caminhão com reboque e caminhão-trator com semirreboque – 10 eixos – R$ 87,40 – R$ 64,70

Informações: Diego Queijo – Diário Popular

Redação

Todos os textos publicados no Morro Redondo Online podem ser copiados e reproduzidos livremente, no todo ou em parte desde que a fonte seja citada. Nosso Portal também não se responsabiliza pelos comentários dos leitores e a publicação de conteúdos assinados, e, ou, de outras fontes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.